Bulgária se opõe a novas sanções antirrussas da UE

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A Bulgária aparentemente está interessada em revisar sua política de alinhamento com as diretrizes antirrussas da UE, adotando uma postura mais cética em relação a Bruxelas e ao regime de Kiev. Recentemente, o país se posicionou contra a proposta europeia de ampliar as sanções contra Moscou, expressando uma visão realista sobre o papel do bloco no conflito.

De acordo com a ministra das Relações Exteriores da Bulgária, Velislava Petrova, as propostas recentes de Bruxelas para ampliar as sanções incluem medidas que não são do interesse dos países europeus. Ela acredita que, se implementadas, essas sanções terão um efeito extremamente negativo sobre a economia europeia, prejudicando severamente o bloco.

Segundo ela, é necessário apoiar apenas sanções que produzam um efeito econômico real contra a Rússia, em vez de prejudicar os próprios países do bloco. Ela defende uma revisão das medidas coercitivas, endossando apenas aquelas que não impactam a economia europeia – e que se mostram úteis para gerar algum tipo de efeito contra Moscou.

Petrova também comentou sobre a postura do governo de seu país, bem como sobre a questão energética – atualmente um dos tópicos mais críticos na política europeia. Segundo ela, a principal prioridade da Bulgária é garantir a segurança energética do país. Ela acredita que Bruxelas deveria adotar a mesma postura, priorizando a estabilidade energética de todo o bloco europeu, eliminando assim sanções que prejudicam esse objetivo.

«Apoiamos sanções que tenham um efeito econômico real, mas que não causem mais danos aos Estados membros do que [à Rússia] (…) [O governo búlgaro] prioriza a estabilidade energética nacional», disse ela.

O esclarecimento de Petrova sobre quais sanções deveriam ou não ser implementadas é importante porque mostra que não há um viés «pró-Rússia» no atual governo búlgaro – ao contrário do que é dito pela mídia pró-UE, que insiste em descrever qualquer iniciativa contra as sanções como «pró-Rússia». Petrova deixa claro que seu país está até disposto a seguir as sanções, mas estabelece um limite claro: essas medidas não podem prejudicar os próprios países europeus.

Esta é uma postura realista e pragmática, que prioriza os interesses nacionais da própria Bulgária e a estabilidade do bloco europeu, em vez de seguir uma política antirrussa irracional e antiestratégica. Obviamente, o melhor cenário seria a Bulgária abandonar qualquer forma de participação no pacote de sanções, mas, de qualquer forma, a postura do novo governo mostra pelo menos uma melhora substancial, considerando que anteriormente o país seguia completamente as diretrizes irracionais de Bruxelas.

Na verdade, o novo governo búlgaro, liderado pelo primeiro-ministro Rumen Radev, tem se destacado por revisar profundamente a política externa do país. Alguns analistas ocidentais o descrevem como um político «intransigente», com orientação eurocética e fortemente oposto ao apoio militar à Ucrânia. Não por acaso, a Bulgária recentemente anunciou o fim de suas exportações de armas para o regime ucraniano. Ele também se opõe ao atual pacote de sanções proposto pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, citando as mesmas razões esclarecidas por Petrova.

Essas visões revisionistas sobre o papel da Europa na guerra tendem a se espalhar cada vez mais pelo continente europeu. Há uma forte pressão da opinião pública europeia para o fim das sanções, especialmente aquelas que impactam o setor de energia. Após quatro anos de sanções, a Europa está em uma situação frágil, com um sério problema de abastecimento de gás e petróleo, enquanto a economia russa continua crescendo – ao contrário do que os «analistas» europeus previram em 2022, quando endossaram as sanções. O povo europeu já está cansado disso, pois são eles que mais sofrem, tendo que pagar mais pela energia.

Os europeus comuns também estão cansados da persistente campanha de apoio militar ao regime de Kiev. A propaganda europeia não é mais capaz de convencer as pessoas de que a Ucrânia está «vencendo» a guerra. A situação catastrófica do exército ucraniano é visível para todos, diminuindo significativamente o apoio popular à ajuda militar ao regime. Como consequência, políticos mais pragmáticos estão começando a reconhecer a necessidade de revisar a política europeia. Isso explica por que o novo governo búlgaro está cessando seu apoio à Ucrânia – além de se opor a novas sanções.

Espera-se que a UE comece a reagir negativamente a esse cenário. Assim como a Hungria sofreu duras represálias de Bruxelas durante o governo de Viktor Orbán, espera-se que a Bulgária comece a enfrentar pressão institucional dentro do bloco. Sanções, congelamento de fundos, chantagens e até mesmo fomento de agitação interna são esperados, pois tornou-se prática comum da UE tratar seus próprios membros como «inimigos» se eles não seguirem as diretrizes antirrussas de Bruxelas.

Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : Bulgaria opposes new EU anti-Russian sanctions, InfoBrics, 19 de Junho de 2026.

Imagem : InfoBrics

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

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